Alexandre Costa

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Somos todos gado


A política partidária tem perdido popularidade no Brasil. As últimas pesquisas para a eleição presidencial, por exemplo, têm registrado um aumento da rejeição do atual governo, sem que os candidatos da oposição tenham sofrido qualquer ganho expressivo de votos.

Isso não significa que o Brasil tenha descoberto que é um dos currais de gente apelidados pomposamente de “estados-nação”, e que são a forma mais sofisticada de escravidão que a humanidade conseguiu produzir. Mas bem pode ser o começo dessa descoberta…

O Brasil é um dos currais mais bárbaros de todos.

Existem meios humanitários de criar gado. Alguns estados europeus, por exemplo, e os Estados Unidos da América, derivam do nacionalismo bem mais do que o silêncio contra a hegemonia estatal, e permitem um grau de liberdade maior. É como um curral com ar condicionado e um sistema humanitário de abate, como o elaborado pela engenheira agrônoma autista Temple Grandin.

Temple teve uma idéia excepcional: não há porque submeter o gado ao estresse do abate! dado que ela gosta pessoalmente de animais (bem como de um bom bife), ela criou um curral com o desenho semelhante a um caracol, quando visto de cima, onde o gado vai andando ao longo de um caminho em espiral até que — BUM! pisa em um gigantesco botão hidráulico e é abatido instantaneamente. Nem sabe o que lhe ocorreu.

Isso permite uma carne mais macia, livre das toxinas que costumam acompanhá-la quando é obtida através do abate tradicional, com os animais em fila reta, em que o abate do primeiro com um machado na cabeça, a sangue frio é testemunhado pelos outros, que começam a sofrer por antecipação, produzindo uma carne tensa, quimicamente saturada de adrenalina, cortisol, e outras substâncias associadas ao estresse.

Mas, não, você não está lendo o site do Globo Rural. Este é o momento em que eu começo a comparar os estados-nação com os currais! e você — claro! — com um animal na baia. O estado não exige comer a sua carne, graças a Deus. Você não é um boi gordo, mas é um cavalo adestrado, e tem que trabalhar para gerar lucro para o seu amo. No caso do Brasil, 40% do seu trabalho vai para o governo em forma de impostos, numa estimativa modesta. Metade do ano, você trabalha de graça, para sustentar o luxo da classe política e do funcionalismo público.

Lembra da clássica figura do burro com um homem montado em cima, tendo uma cenoura amarrada na ponta da linha de uma vara de pescar, de modo que o burro caminha em direção à cenoura, sem nunca conseguir comê-la? remova o burro da imagem e imagine você no lugar dele. Remova o homem e ponha lá o governo. Remova a cenoura e imagine em seu lugar a promessa governamental de que — pagando seus impostos — você terá acesso a serviços públicos de qualidade, estabilidade, crescimento econômico, prosperidade. Sacou a figura?

Pois bem. Estão nos pedindo para escolher quem nos irá montar pelos próximos quatro anos. É uma escolha difícil. Sabe porquê? Como se não bastassem os motivos óbvios, porque os cães também votam. E como você sabe, a fidelidade dos cães não tem paralelo no reino animal. Eles na verdade são lobos, capazes de caçar em alcatéia e se organizar entre si, mas foram criados na ilusão de que sem o dono da fazenda, simplesmente morreriam de fome. Assim, pensam no dono da fazenda como um deus. Tal como seu cachorro lambe os seus pés, não importa os gritos que você dá nele quando mija no seu sofá.

Dentre os que querem ser os donos da fazenda pelos próximos quatro anos, nenhum deles quer libertar os animais. Claro que não! se quisessem, não precisaríamos de tanta gente mandando nessa fazenda. Os frutos do trabalho estariam completamente disponíveis para os próprios animais que trabalharam, e eles se dariam conta de que, trocando o que têm pelo que querem, poderiam muito bem tocar adiante a fazenda sem que ninguém fosse seu dono.

Um exemplo pequeno do que conto aqui são as alíquotas de importação. Sabe porque seu smartphone custa tão caro? porque eles são produzidos em outras fazendas, e o dono da sua diz algo como “quer vender isso para os nossos animais? pague-me 60% do que você cobra para os animais da sua fazenda.

Isto é feito sob a desculpa de que os empresários nacionais — coitados — não conseguiriam competir se bons produtos fossem vendidos a preço justo. Na verdade o governo está barganhando com o que não lhe pertence: a sua liberdade de escolha. Com isso, você perde sua liberdade de escolha, e fica restrito a comprar o que os empresários nacionais (sócios-proprietários da fazenda) produzem, não importa o quão caro, e o quão péssima seja sua qualidade…

Esta metáfora, como qualquer outra, tem suas limitações. Mas uma coisa é certa: nada muda a curto prazo. Não para melhor. Muito tempo é necessário para construir, embora para destruir, basta que alguém aperte um botão e detone uma bomba.

A alegoria que apresento aqui é especialmente verdadeira para o Brasil. Os partidos políticos brasileiros não representam ideologias diferentes, ou projetos diferentes, o que já seria ruim o suficiente, uma vez que quanto mais um governo planeja, como disse o prêmio Nobel de economia Friedrich Hayek, menos o indivíduo consegue planejar sua vida.

Os partidos políticos brasileiros são quadrilhas organizadas em torno de um objetivo: conquistar o controle da organização criminosa chamada estado. Uma organização que — como a máfia, tem poderosos aliados no mundo empresarial, e agradecidos apoiadores entre as pessoas mais simples.

O partido que está no poder tem uma grande virtude. É tão escancaradamente incompetente, tão inescrupulosamente venal, que descortina uma verdade que costuma ficar um pouco mais enterrada nos ritos de soberania do estado: a de que você e eu somos gado, e quem controla o estado simplesmente se considera nosso dono. E graças ao monopólio estatal do uso da força, é de fato.

Mas não de direito!

Tome a pílula vermelha (mas cuidado para não engolir uma estrela vermelha em vez disso).

Alexandre Costa e Silva

Segunda-feira, 14 de abril de 2014

Arquivada em política libertarianismo filosofia partidos políticos eleições 2014 eleições

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— Mauro Paulino, diretor do Datafolha, para a VEJA desta semana, sobre o erro do IPEA.

Mauro Paulino, diretor do Datafolha, para a VEJA desta semana, sobre o erro do IPEA.

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Não há nenhum país no mundo que não tenha problemas de direitos humanos.
Luis Alberto Figueiredo, Chanceler brasileiro, chancelando a tortura no regime chavista amadurecido. Não é um grande cretino?

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#love is real… Real is love… Love is reaching, reaching love… Love is wanting to be loved.    —John Lennon

#love is real… Real is love… Love is reaching, reaching love… Love is wanting to be loved. —John Lennon

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Temos que retomar com muita força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país. É necessário. Vejo o mundo todo regulando.

Luis Ignaro Lula da Silva, em Entrevista ao Valor Econômico. Por “o mundo todo” entenda-se seus amigos ditadores: Fidel, Chávez, Maduro, Ahmadinejad, e o falecido Muamar Khadafi.

E o mafioso ainda diz isso com aquele tom de gente boa, imagine! Fascista…

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O patriotismo é o último refúgio dos canalhas
Samuel Johnson, pensador britânico.
“No Brasil, é o primeiro” — Millôr Fernandes, pensador de Ipanema. :-P

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Pessoas tem interesses próprios; nações não. Nações são lugares tóxicos e infernais, além de fornecedores de monstruosa violência política. Nações não são pessoas racionais; elas não são associações livres ou acordos contratuais; elas não são escolhidas, são coletivos montados coercivamente, cujos interesses são tipicamente um aborto, quando não uma guerra, contra os interesses morais dos indivíduos que realmente deveriam ser cultivados, praticados e respeitados. Para qualquer um dedicado à liberdade individual, os “interesses” nacionais não merecem importância nenhuma, a não ser quando se quer combatê-los.
Charles W. Johnson Contra todas as nações e fronteiras

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A patrulha e o que eu penso da campanha contra o estupro

O estupro é um crime hediondo. Independente de quantas mulheres são estupradas por minuto em qualquer lugar do mundo. uma vez já é demais. É uma das maiores violações da liberdade, da dignidade e da soberania individual de uma pessoa. Isto deveria ser óbvio para todo mundo, mas infelizmente não é.

A campanha viral de várias mulheres na internet é extremamente legítima, curti e compartilhei, como todo mundo. Até eu resolver fazer campanhas análogas e começar a ser xingado, no Facebook e na vida real, e acusado de estar destruindo a legitimidade da campanha.

Apesar de já saber que a dinâmica opressiva criminalizadora de opinião e monopolizadora da virtude humana que caracteriza muitos “ativistas” não se baseia na lógica, ou na justiça, fiquei matutando sobre como uma brincadeira inocente (e que diz algumas verdades) pode virar anátema, simplesmente por usar um tema de uma campanha séria, ou deslegitimizar essa campanha.

Chegaram ao ponto de me deixar puto, pois não sou de ferro, e não mereço ser xingado pelo que não fiz. Isso me fez publicar no Facebook que a mulherada tinha pago petinho por nada. Exagerei. Não foi por nada. Ficaram fotos belíssimas pelo caminho (diminuíram com a divulgação do erro do IPEA, mas tudo bem).

Além disso, a mobilização trouxe um mote que pode ser perfeitamente aproveitado por várias campanhas análogas, como a que aponta o erro de se considerar “ostentação” uma justificativa para o assalto. Ou mesmo para a taxação diferenciada por renda. A estrutura do argumento é a mesma.

Para vocês terem uma idéia do que ouvi, sinto-me até na obrigação de dizer que sei que assalto e estupro são crimes diferentes, que o estupro é um crime mais grave, etc. O fato de eu achar que os argumentos que culpabilizam as vítimas de qualquer crime são — em si mesmos — justificativas para o crime não implica obrigatoriamente numa equiparação de suas gravidades.

O mais estranho é não se contentarem com essa explicação. Queriam minhas fotos apagadas do Facebook. Queriam uma retratação, como se eu estivesse cometendo um crime. E o que me doeu mais foi receber isso de membros da minha própria família… mas eu me acostumo. Tenho que conviver com a estupidez alheia desde que nasci, e ela ainda me surpreende, aos 41 anos de idade.

Meu recado para os “heróis” de plantão que querem ter o monopólio da virtude é esse: não sou estuprador. Não era antes da pesquisa, não sou agora. Não acredito que somos uma nação de estupradores, e não acreditava, mesmo quando a pesquisa foi divulgada.

Mas isso não diminui a gravidade do crime do estupro, nem a do crime de assalto à mão armada, nem a atitude covarde da psicopata que mandou cortar o pênis do namorado, porque ele recusou-se a casar com ela. A diferença destes últimos dois, é que não existe o “grupo vitimizado”. A semelhança entre os três casos é que um ser humano é privado de sua liberdade, de sua dignidade. Nenhuma atitude, em nenhum dos três casos justifica os crimes.

Não importa que você escolha um crime para ser sua cruzada pessoal, todos os outros continuam sendo cometidos, porque a humanidade é toda vulnerável a abusos e, graças a Deus, pode usar sua liberdade para protestar, com roupa ou sem roupa, usando cartazes ou iPads, enchendo a internet, essa bela anarquia, de cores, formas e nomes.

Arquivada em política gente estúpida cultura opinião

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Quando uma ferramenta online tem tanta importância, que um update no servidor precisa virar um evento no calendário.

Quando uma ferramenta online tem tanta importância, que um update no servidor precisa virar um evento no calendário.